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Bodyspace
By Bruno Silva
04 April 2011

Trio de Lisboa que tem vindo ao lado de nomes como Photonz ou Tiago a reinventar o panorama das electrónicas dançáveis nascidas no burgo, e que consegue nesta sua estreia um equilíbrio fascinante em torno de diversas linguagens. Partindo das premissas base da House de Chicago como profetizada por Phuture, para recolher os destroços mais lúdicos de algum Krautrock, do som de Colónia (e relembrar como os Mouse On Mars são incríveis) ou de alguma Micro-House na linha de Farben, para chegar àquele ponto de mutação fractal que tem nos Black Dice pós-Creature Comfort ou nos Excepter circa Self Destruction referências subliminares. Disco com vista panorâmica sobre a boa onda total, assenta numa metodologia insinuante que adapta todas essas linguagens sem as impor descaradamente. Numa lógica interna que dispõe nuances melódicas e rítmicas evitando uma organização mais estrita para assumir essa instabilidade de processos como um fim em si mesmo. Que tanto pode passar pelo escapismo mental como pela dança possível. Há toda uma noção de risco ao longo destas seis malhas, brilhantemente conduzido pelas mãos de António, Alberto e Sara, num plano continuamente intrigante que nunca resvala para o experimentalismo inócuo. Paira sobre tudo isto uma vibração bem tropical de dimensão psicadélica que um nome como "Travesti + Palmeiras AV" vem sugestionar, com os rasgos de voz iluminados pelo delay a darem razão ao pressuposto. "E-Muzik" tanto poderia ser o nome de uma música dos Harmonia como reaproveita as lições deixadas por "Watussi" para bom efeito. "Balão" fecha o disco sob uma manta de teclados líquidos que faz da praia um estado mental, numa estreia notável de um dos nomes mais singulares do agora. Seja aqui ou em qualquer lado.

Ponto Alternativo
By Regina Morais
April 2011

"Há discos tão flexíveis que se podem ouvir pela manhã, quando se procura alguma acção e espertina, ou ao cair da noite, quando o sentimento do final de um dia solicita um caminho por onde fugir. Este é um deles.

Percorrido por uma base de idioma house – algumas recordações de Larry Heard (Mr. Fingers) ou Phuture não são propriamente vãs – que se reescreve em linguagens que tanto roçam o experimentalismo de Arthur Russell, o pioneirismo electrónico deEdgar Froese (Tangerine Dream) ou até mesmo a vanguarda eighties dos The Art Of Noise. É um trabalho fresco, jovem, reúne gramáticas musicais diversas que o ilibam de qualquer pretensiosismo estético e, mutuamente, lhe conferem o cunho da originalidade.“Passou-se da matéria-forma à matéria-energia” (Giles Deleuze): é exactamente esta transformação material que se propaga pelas seis faixas em que o som samplado, em forma de gradação, avança em cursos dinâmicos de ataque e decaimento, reparando-se facilmente na vontade de revelar mais e diferenciados timbres. Contudo, não deixa de haver um carácter discreto, e por vezes até minimal, no suporte de cada música.

Logo na primeira faixa Travesti + Palmeiras AV, com um apoio rítmico repetitivo, é posta em prática uma sequência inesperada – vozes, desvios psicadélicos, simulações de novos diálogos – sem, todavia, se criarem contrastes ao ponto de se perder a direcção. Existe uma qualquer brincadeira criativa em que se intersecta o presente e o passado, sendo que o “agora” se estrutura pelo passado mais recente, conferindo-lhe uma sucessão sonora munida de sentido.

Este trabalho, que conjuga espectros sonoros das discotecas de Chicago dos finais dos anos ’80 com o experimental da década anterior, é fruto da audácia lisboeta do António, do Alberto e da Sara. Porém, não é só a ousadia timbrada que passa pelo primeiro EP dos Niagara: numa edição limitada de 100 cópias, cada uma é dona de um design exclusivo criado pela artista plástica norte-americana Natalie Westbrook.

Como se não bastasse, a ambiciosa Dromos Recordings, constituída apenas pelos amigos João e Pedro, que viu o seu primeiro fruto surgir no Verão de 2009, é a “cara” ávida por contribuir que se esconde atrás deste projecto admirável. Entre as suas edições, já se contam trabalhos com Tetuzi Akiyama, Manuel Mota, Wasteland Jazz Unit e não só."

Mundo Urbano
January 2011

"Na senda da vontade de criar, a arte funde-se com a música num gesto de inconformismo estético assumidamente DIY (Do it yourself). É neste contexto que a Dromos Recordings edita o seu quinto lançamento liderado pelo o trio modernista António, Alberto e Sara de Lisboa. O Niagara EP vem na linhagem de Dennis Busch (James Din A4 & Pop Dylan), Akufen, Herbert, Yoshihiro Hanno (aka Radiq) … musicalmente emotivo e diversificado, reúne seis produções coesas que oscilam geometricamente entre um tropicalismo urbano (travesti + palmeiras AV) e uma repetição ácida e hipnótica, (laconia), sugerem-nos ainda uma ‘trip’ imersiva com momentos de passagem pelo micro-house (oskaloosa; todi) que termina com um entusiasmo melódico que nos eleva num ruídoso - mas saboroso - êxtase experimental (e-music; balão). Recomenda-se! CD-R comes in a limited edition of 100 copies. Artwork & packaging by Natalie Westbrook."

Fact Magazine Pt

"Electrónica pela electrónica, ritmo pelo ritmo, jogo pelo jogo, numa produção surpreendente dos portugueses Niagara. Ou seja, António, Alberto e Sara, um trio de Lisboa que propõe seis temas de esqueleto sonoro simples e minimalista, mas que acredita em pequenos reajustamentos, desvios do caminho principal, acidentes não previstos. Não é propriamente música para dançar apesar de se poder dançar, desde que exista algum sentido de equilíbrio. Em Portugal não existem propriamente pontos de contacto que os ajudem a enquadrar, embora na atitude livre com que encaram a matéria sonora se possam encontrar analogias com algumas aventuras recentes da música de características electrónicas feita em Portugal, como os Gala Drop, Tiago, Slight Delay ou Photonz. Mesmo quando o olhar se amplia para o mundo não é fácil posicioná-los. Pode pensar-se nos desvios mais exploratórios de Akufen, Herbert, Matmos ou Jan Jelinek, mas mesmo assim escapa qualquer coisa. São tão marcados pela música house dos primórdios, como pelo rock alemão nada convencional dos anos 70, simbolizado pelos Can ou Neu!. Há profundidade de campo, um balanço insinuante que não se deixa adormecer na mesma estrada, como se o condutor andasse em sentido contrário, apesar de se sentir um discreto calor emocional. São temas instrumentais, com alguns apontamentos vocais, de superfícies sonoras abstractas, mais preocupados em sugerir do que impor seja o que for, feitos de impressões digitais e aragens aveludadas. Como se não bastasse a música, realce também para a capa (da autoria da artista plástica americana Natalie Westbrook), num todo que denota um cuidado estético tão surpreendente quanto excelente."

blog.FLUR.pt

"Nas seis faixas do CDR ouvimos uma concentração de ideias que transportam para a frente e para trás no tempo sem ordem aparente. Isso deixa a boa sensação de que Niagara não parecem preocupados em citar modelos clássicos (ou menos clássicos) de house ou techno, antes divertirem-se com soluções feitas no momento. Kraftwerk em “Todi” só são perceptíveis por quem é meio doente pela discografia deles nos anos 70 (er… nós e outros como nós). Muito do que se ouve aqui soa rude no sentido de parecer composto durante a gravação. Uma pequena sugestão de abordagem sónica semelhante a Wareika rapidamente se esquece porque quando se pensa que estamos a ouvir uma derivação sofisticada e mais orgãnica de techno minimal o jogo muda de cenário até nos sentirmos envergonhados por ter pensado isso. “Todi” prossegue aos solavancos até uma fase em que parece um DJ set mais do que uma música só, quando entram as palmas sintéticas e os pratos de choque. Falem de house progressivo, este progride! Sente-se frescura e boa dose de risco largamente possíveis porque Niagara não são produtores de música de dança, não têm pontes a defender, apenas território a conquistar. A música rítmica em várias das seis faixas do CDR entra em choque consigo mesma para resolver questões de groove como outros nem sequer tentam. É precisamente na escuta do que acontece que se encontra prazer, aqui nunca nada está perdido ainda que pareça estar, a meio de um tema como “Balão”. Niagara não fazem de modo algum regressar qualquer espírito house português dominador nos anos 90, o trio lisboeta parte de uma zona que, em princípio, nunca existiu cá. Como se Jan Jelinek, nos tempos vintage de Farben por volta do ano 2000, colasse o seu material com algumas produções house americanas mais gordas na substância rítmica. Vocês têm de ouvir isto."

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